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O amigo de Nietzsche
Um amigo! De onde mais buscaríamos uma relação mais pura que a própria amizade? As pessoas vivem por ai declarando amizades entre grupos fechados e conversas de meia hora, na vanglória falsa do auto-reconhecimento. Isto porque para nós a amizade é o relacionamento mais puro que existe. Como se o ser humano desistisse de si por um segundo e se voltasse ao próximo eximido de anseios menos egoístas. Ok! Esqueçam isso...!!! Não existe relação sem troca de favores por que dentro de cada um de nós carregamos o sentimento mais primitivo que o instinto de sobrevivência nos impõe, o Amor-próprio. De Nietzsche li uma frase muito interessante: "Em última análise, amam-se os nossos desejos, e não o objecto desses desejos". F. Nietzsche foi um filosofo mantenedor de um amor frugal pela irmã e teve os pensamentos perigosamente influenciados por Schopenhauer, este que costumo chamar com todo gosto de "pai do pessimismo". Sendo assim (ainda que seja loucura confiar no niilismo de um filosofo extemporâneo, não é menos loucura querer forma-me medico), não há nada mais certo que este pensamento. Veja bem, você provavelmente só gosta daquele teu amigo por que ele, certamente, te traz segurança, companhia, atenção, etc., então, neste caso, não estaria você amando ele, estaria sim amando essas sensações boas que nós como bons primatas semi-racionais delegamos a esta pessoa - estendem-se isto aos mais variados sentimentos bons que nos presenteiam. Portanto, não há um amigo, não existe sequer um dicionarismo que ostente a compreensão correta do termo, pois aquele amigo que te ajuda esta, ainda que inconscientemente, aproveitando-se disso, senão agora (pleiteando um reforço para o ego), depois (buscando a cura de algum malefício na tua ajuda). Mas isso não é motivo suficientemente forte para vivermos desconfiados porque, enfim, segundo esta frágil teoria do Amor-próprio amamos tanto a nós mesmos que, se por um descompasso do tempo ou descuido do destino, você descobrir que aquela pessoa que você tanto gosta não gostava tanto assim de você, comece então a imaginar que tirou tanto ou mais proveito que esta desse mesmo relacionamento tão inevitável quanto respirar, o "apaixonar-se".
PS: Serei eu um dos iludidos e pescados ingenuamente por minha própria teoria? Não sei. Mas, precisando, daria pouco mais que tudo pelos meus amigos.
“Amicus certus in re incerta cernitur”
Amigo certo conhece-se na hora incerta
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Filipe Camelo||2:30 PM
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