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Esse movimento é esvaido de qqs questões políticas, acreditem. Acho apenas mais uma efemêride da classe média chique paulistana e dos "artistas" menores que querem aparecer tirando onda de politizados.

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Sexta-feira, Março 23, 2007




Leiam este conto magnifico:
O Abutre - F.Kafka

Historieta acima de Franz Kafka que banaliza a morte.
Eis que vale a pergunta: qual seria a dor maior, a dor sentimental , de quem perde seu grande amor, ou um ente querido, por exemplo, ou a dor fisica, a dor que nos corta a carne? Dor e medo, duas qualidades irmãs, o medo é capaz de inibir a dor, e a dor por vezes, causa o medo, quem seria o pai, quem seria o filho? E quando temos medo de sentir dor, e a dor que sentimos é tao infima que nos suplanta o medo, nao estaria a dor a inibir o medo? Quantas e quantas vezes nos deparamos com situações assim, correndo de um cão na rua topamos numa pedra quebramos um dedo e nem sequer sentimos, dores viscerais que nos atormetam, qual medo seria nosso extremo amigo! Quem sabe! Minha tia contava uma historia de uma moça que fora atropelada por um trem, ela presenciara toda a cena, a vitima dividida ao meio na linha da cintura ,e chegando mais perto ouviu um curioso a perguntar a moça ," A senhora esta sentindo muita dor?", conta ela que a moça respondeu calmamente, " Nao senhor! Nao sinto nada, sinto apenas medo, muito medo", e, fechando os olhos, adormeceu, para nunca mais acordar

Gato

Passava descontraído, nas vielas da bruma
E ao luar que o via só o vento o tocava
Ia sentir o gosto da noite que amava
Pensava, ¿saio logo antes que a lua suma¿

Pois na escuridão onde os olhos falhavam
Era a casa, a terra, o negro o seu aconchego
Admirar a noite todos os dias seu emprego
Ele degustava as brisas que sibilavam.

Escondido em frestas nos rústicos telhados
Amorfava-se em sombras nos peitoris
E como o vento levava seus cantos vis
O gato fitou-lhe os olhos espelhados.

Paralítico, o horror era consumo intenso
¿Figura macabra¿- o pensamento leu.
Qual gato preto a ornamentar o breu ,
Que animal sombrio, fosco, imenso!

Nestes gestos que o medo assombra
O homem corre em seu desespero
Suor, fadiga, cansaço é o tempero
Do ataque que o gato vislumbra.

Perdeu-se na imensidão de olhos fosfóreos
Na embriaguez da pelagem camuflada
Escorreu em sangue à garra ponteada
Maculou em terra os fluidos corpóreos

E o gato a lamber as vísceras ancestrais
Contentado sob a penumbra da lua
Caminhando ébrio a dominar a rua
Consciente dos movimentos astrais

Vês que a órbita das estrelas esparsa
Os destroços dessa etérea carcaça
Vão sumindo em teias de fumaça
Em cada gesto, em cada farsa

Vai o gato tranqüilo, assassino brutal
A natureza que o corrompe é ardil
Pois entre os dentes um miado sutil
È a prova modesta de todo o mal.

| Filipe Camelo||2:20 AM horas| |


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Domingo, Março 11, 2007

Vai um conto hoje...

Doze mil

Tenho mil anos, sou fazedor de minha historia.Tenho uma era na memória, um corpo belo e são. Sou quem eu era antes agora, mas já fui outro, que invariavelmente não fui outrora, e me pergunto "Deus, vou-me a que hora?. Por que do mundo não sou um grão?" E o todo poderoso em seu trono, majestoso e piedoso as hastes do céu ergueu e profetizou, "Eis que findará tua demora". Pois fui-me a ordenar pensamentos, dormir menos tempo, tornar-me são. E neste sono mínimo, nestes roncos cínicos, veio-me a conformação, o todo poderoso sussurrou: "a felicidade não tem idade, é uma erva que não cresce, ela não morre nem envelhece, não esgota nem falha, ela é a verve de tudo que apascenta, a felicidade não tem endereço, é um medicamento sem preço, uma vivacidade que espalha, a felicidade é o maior de todos os segredos, a mãe e o pai do medo, a cousa que jamais descansa, a voz que o sono amansa, um sentimento em migalha".O livro de minha mente expandiu. Que sentimento seria este? Por que em mim os vincos perdeste? Por que logo eu, quem mais viveu, não o viu? Eis, que nas passadas dos dias longos, criei mais duvidas que um milhão, e cem décadas depois, quando o Futuro já se pôs, veio-me a exclamação! Deus disse, que é a vida para ti? Senão o simples ensejo de continuação? Pois o castigo será dado, e enquanto não estiveres preparado, teus dias não chegarão. A vida perdurará, mais dez mil anos, vivera ate que um instante tu sejas feliz, pois quem na vida passa, e as oportunidades desgasta ainda é tolo aprendiz."

E então clamei o tempo, "Oh! senhor, cesse o meu fardo, que nas chamas com prazer ardo, se for este o talho do destino, nas cordas mudas desatino, nos galhos secos batalho, mas não deixe que meu falho seja minha provação!" Foi nesta época que o véu do tempo fechou e os raios e trovões cederam, o sol não brilhou, as estrelas pereceram, a lua apagou, os mares inundaram, o vento não soprou, flores não desabrocharam. Dez mil anos depois, como dois portões planos os horizontes se abriram, e o todo poderoso, ao prado montanhoso urgiu, "Vosso apontamento faliu, o teu pedido foste negado, por que por mais que eu tenha dado, tu apenas pediu. E como nos livros escrevi, como nas historias ditei, como nos profetas concebi, a morte é inerente, e quanto mais enganá-la tente, mais ela o perseguirá. Mas teu caso é diferente, tu procuras a morte, tu te livras da sorte, que teu deus te deu. Por isso mais ainda tu vives, pois quem agoura a vida, cria uma grande ferida, e é onde jamais estive. Portanto má é tua conduta, pois com o cansaço permuta, conjeturando o fim, e esse propósito que enlutas, esta decisão astuta, pertence só a mim". Apos a revelação a terra abriu, o rio desceu, a flor ressurgiu. Sob meus pés o paradeiro estático de minha ultima morada arrefeceu, o meu olho `as imagens sorriu, minhas costas a terra venceu, minha mente a cautela esqueceu, minha vida ao tempo sucumbiu. O todo poderoso em seu trono, majestoso e piedoso me absolveu, em 12 mil anos vivi, e nas ultimas horas que respirei, foi onde mais a paz encontrei, onde a felicidade percebi. Na eterna esperança dos tempos findos achei a minha desgraça, achei a minha fortuna, pois do mesmo castigo que alcancei, alcancei também a minha graça, morri!

(fim)

Não existe desculpas para nossos erros, mesmo quando estamos tentando ser um "outro" alguém, estamos sendo nós mesmos. Vivemos escravizados pela busca da felicidade, esta tatuado no inconsciente coletivo, e isso por sí só ja nos torna infelizes, que ironia...!

| Filipe Camelo||7:10 PM horas| |


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Quarta-feira, Março 07, 2007



"Caminhamos ao encontro do amor e do desejo.
Não buscamos lições, nem a amarga filosofia que se exige da grandeza. Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens,
tudo o mais nos parece fútil." (Albert Camus)


Sou conhecedor de mim;
Busco o desejo sem fim,
Passageiro de meu ego.

Avistei um Girassol num monte longinquo onde, de um lado o sol nasce, de outro o sol se poe. Era enorme, solitario, e na dança do sol ditava as horas do dia. Brindava as petalas ao vento e resistia no alto de sua imponencia aos pingos da chuva. Desci o morro e fui cuidar a visao de outras areas. Pois bem, passados algumas semanas entrou o inverno chuvoso, e o rigor das nuvens manchava os céus diuturnamente com seu veludo acinzentado. Subi o morro, novamente fui olhar o girassol. O girassol destemido de outrora, flor da flores, amante do sol e do brilho, era só esboço de sua majestade. Cabisbaixo, sereno, despetalado, ja nao era mais o mesmo, o sol fora encoberto, o Girassol perdera a sua guia, a sua paixao, e sua vida.


Onde escondestes tua guia
è nestes caminhos que via
Que humilhastes os olhos?

Onde esqueceu teu caminho
Foi no grito ou no carinho
Que trilhastes o futuro?

Muitas vezes antes de dormir nos pegamos admirados com nosso raciocinio, nosso pensamento que foge a necessidade de dormir, planejamos nosso futuro decadas além, sonhamos, compartilhamos os desejos de nosso inconsiente com a inquietude,e atraves disso podemos subentender de onde parte nossa guia, ou seja, de que ponto parte a realizaçao deste desejo. A realizaçao de meus desejos parte de minha emancipaçao total, desejos impossiveis, como voar, ser feliz, e morrer de amor...ficam em segundo plano.

| Filipe Camelo||12:19 AM horas| |


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by FILIPE CAMELO