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Convulsão
Trago um ódio em olhos crivos,
Floresta densa e crua me espera.
Na podridão fétida entre dentes era
Carne crua, antes corpos vivos.
O espolio das dores tristes impera
No coração esmagado que dura;
E nas vielas escuras, verme cura
Mordida feroz dessa quimera.
Pessoa infeliz, discurso que uiva
Grunhidos nefastos entoam em balsas;
Disfarçando a pena em palavras falsas;
E nos mortos sentimentos que cuida.
O horror - falsas lágrimas lateja;
Escorre a gota em face medonha
Enquanto a asco se recomponha,
Vil, planeja a mentirosa peleja.
Simpatiza a cor endêmica da desgraça
No vômito perdura a alma crua;
Espelha nos regurgitos, nua,
A insensatez mórbida de sua graça.
Trago um ódio vermelho, encarde
Músculos que movem o desgosto.
Felicidade é mais que o oposto
Do impulso que no crânio arde.
Unhas negras de lama encrava
As vísceras do homem perdido
Sucumbe à laceração, esquecido
Das chagas que à face escava.
Esboça o mínimo rancor agudo
Gritando silêncio em portas erradas
Cortando peitos, exímias flechadas
Num assassínio infernal e mudo.
Lembrança, ferida pulsante e devassa;
Inflama o fosso asquero da peste
Onde a saudade travestida em veste,
Traiçoeira em enxames passa.
Cadavérico, enche de imortal repúdio
O sentimento onde guardo dejetos;
Pensamentos de imagens ruins repletos
Aumentam meu ódio estapafúrdio.

Nesse "poema" expresso o desprezo que venho acumulando reservadamente pela insensibilidade humana e, sobretudo, o poder inexequivel que a pessoa ao lado (indiferentemente de personalidade, corpo, sexo e ocasiao) tem de mostrar à terceiros seus peçonhentos defeitos.
Não, eu nao vou falar de minha vida aqui! Nao esperem mais do que subjetivismos caóticos...
Cansado de querer noites melhores,...mas nao trôpego...nunca.
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Filipe Camelo||12:09 AM
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